Um servidor da história de MS

06/12/2021 12:00

Leão Neto do Carmo, Jesus de Oliveira Sobrinho, Rui Garcia Dias, Gerval Bernadino de Souza, Higa Nabukatsu, Milton Malulei, Nelson Mendes Fontoura, Marco Antônio Cândia e Nildo de Carvalho. Primeiros desembargadores presidentes do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e colegas de trabalho de Antônio Carlos de Novaes. Antônio foi chefe de gabinete de todas essas notáveis figuras e, em vista disso, também participou do nascer de um novo Estado e da implantação do Poder com a responsabilidade de defender os direitos individuais e a segurança coletiva.

Mas sabe como começou essa história memorável? Bem, Antônio e a esposa Eliane moravam em Cuiabá, cidade-sede do Judiciário do Mato Grosso uno. Com a divisão, o Desembargador Leão Neto do Carmo, escolhido pelo Governador Harry Amorim Costa para ser o 1º Presidente do TJMS, precisava de um braço direito para enfrentar o desafio e fez o convite para o até então servidor da Secretaria de Educação mato-grossense.

Assim, em fevereiro de 1979, Antônio assumia suas responsabilidades administrativas e operacionais pioneiras como ajudar a elaborar o 1º Código de Organização Judiciária, o 1º Regimento Interno, a abertura de concursos e a criação de novas comarcas. “Tudo em primeira mão e com muito dinamismo. Era preciso montar o Poder Judiciário”, revive ainda muito bem-disposto.

Isso tudo acontecia ao mesmo tempo em que Antônio e a esposa Eliane procuravam se encontrar na nova Capital federativa. “Vir morar em Campo Grande foi um fato pitoresco. Viemos de Cuiabá com 42 graus diários, inclusive na madrugada, e passamos frio em Campo Grande praticamente o ano todo de 1979. Parecia que não nos adaptaríamos. Mas o trabalho no TJMS ajudou e hoje amamos Campo Grande”, declara-se.

Inclusive ainda sobre se ambientar, em 1980 os servidores fundaram a 1ª associação da categoria e Antônio Carlos Novaes foi o 1º presidente, e reeleito. “Fazíamos competições esportivas, viagens para Cuiabá e Corumbá. Momentos de muita união e confraternização. Claro que éramos uma turma coesa, de 110 servidores”, complementa sobre os muitos inícios.

Já na rotina empolgante de implantação do Judiciário, Antônio cuidava dos editais, de adquirir bens e equipamentos e orientar os servidores sobre o controle patrimonial tanto da sede quanto das comarcas que estavam crescendo em número. “Participei da instalação das comarcas de São Gabriel do Oeste, Nioaque, Terenos, Bela Vista e Porto Murtinho. Fui o responsável até pelo Cerimonial”, divide sem reclamar do volume de trabalho.

Outro fato marcante trazido e vivido pelo personagem dessa história foi a retomada da obra da sede do TJMS no Parque dos Poderes. “Toda sexta, eu e o Desembargador Gerval Bernadino de Souza visitávamos o local ainda só com os alicerces. Daí o Desembargador acertou tudo para o reinício da construção”.

Até que em 1997, com a reforma da previdência, Antônio solicitou sua aposentadoria. Advogou por 3 anos e foi chamado de volta para atuar na Corregedoria Geral de Justiça. Vinte e poucos anos e dez presidentes depois, ficou para ele uma transformação profissional e pessoal extraordinárias.

“Para ter uma formação jurídica e contribuir, por exemplo, com a redação dos projetos encaminhados para a Assembleia Legislativa, fiz o curso de Direito. Eu já era pedagogo. Minha convivência com esses Desembargadores talhou o meu caráter. Me formei como homem e servidor graças ao Tribunal”, celebra.

Agora Antônio anda servindo ternamente a outras figurinhas tanto quanto consideráveis: os cinco netos, alegria de viver do avô, e se dedicando à chácara e ao trabalho de catequista de jovens e adultos com a mesma energia de sempre.

Autor da notícia: Secretaria de Comunicação - imprensa@tjms.jus.br