Uma história que merece ser cantada

24/01/2022 12:00

O memorável oratório Hallelujah, de George Friedrich Händel, foi tocado pela primeira vez na Páscoa de 1742. Oratório é um gênero de composição musical cantado que aproveita ainda, além da orquestra, solos vocais e coro. E é aqui que entra o personagem dessa história: o tenor do Coral do TJMS Carivaldo Damaceno Marciliano, que se emociona quando executada a mencionada obra do compositor alemão.

Sobre o conjunto de música regional, Carivaldo conta que sua participação proporcionou a ele momentos de grandes alegrias e que o coro do Tribunal é a marca da sensibilidade da Justiça sul-mato-grossense que, pela música, se revela uma instituição sofisticada e humana.“Fazer parte de um grupo tão heterogêneo e de música de tão elevado nível é fazer céu aqui na Terra”, entoa prontamente aqui suas primeiras notas.

E por falar em prévias, o coralista em questão começou no Tribunal de Justiça aos 29 anos. Era exatamente setembro de 1990. “Fui bancário por quase 11 anos e trabalhei no departamento de crédito e liquidação. Tive contato com o Direito e com advogados. Descobri minha vocação para o Direito em 1989 por influência dos colegas de banco e resolvi prestar o concurso para técnico judiciário”, recapitula.

Desse tempo, Carivaldo diz ainda que estava acostumado a um ritmo alucinado de trabalho no banco e quando o informaram que o expediente na Justiça começaria ao meio dia, ele vislumbrou a possibilidade de fazer faculdade. Então cursou Direito na antiga FUCMAT, que na época reunia os mestres Clelio Chiesa, Simone Tebet, Leonardo Nunes da Cunha e Luiz Paulo Cotrim Guimarães.

Graduação e emprego novo caminhando juntos, a primeira lotação de Carivaldo foi no Departamento de Pessoal das Comarcas (DPC). “Trabalhei inicialmente na seção de informação, ligada à instrução dos pedidos de licenças, aposentadorias e outros benefícios. Naquela ocasião tudo era datilografado e utilizávamos muito papel-carbono pra fazer as cópias”, diz sobre o início já obsoleto.

Mas esse servidor, hoje aposentado, atuou também na área de treinamento do pessoal das comarcas e cálculo de penas criminais e, logo após a sua formatura, foi nomeado como assessor I da já denominada Secretaria de Gestão de Pessoal, onde permaneceu por oito anos. Daí passou pela Secretaria de Comunicação, Assessoria Jurídica da Presidência, até ocupar o cargo de Diretor Jurídico.

Nessa trajetória que não termina aí, tem um fato que Carivaldo sempre usava para ilustrar a necessidade dos servidores utilizarem uma linguagem acessível no trato com as pessoas mais simples. “Uma senhora chegou no cartório e queria ver qual seria a fase do seu processo, já que seu advogado não a informava. No que o cartório disse que o processo dela estava ‘concluso’, a senhora ajoelhou-se e de mãos postas agradecia a Deus acreditando que o processo tinha acabado. Ninguém tinha coragem de dizer que o processo tinha ido apenas para um despacho do juiz”.

Em outra ocasião, da gestão do Desembargador Divoncir Schreiner Maran, Carivaldo foi convidado a retornar à Assessoria da Presidência, onde ficou até fevereiro de 2021. Sua última lotação foi como analista judiciário na Secretaria Judiciária.

“Trabalhar no TJMS foi uma grande bênção. Tive muitas excelentes experiências no campo profissional, artístico e também no campo social. Uma experiência de uma vida de muita amizade e camaradagem. Sem contar que conheci muita gente nas comarcas, gente fina da melhor qualidade”, segue harmonicamente.

Para, em seguida, concluir assim seu repertório: “após 30 anos e 8 meses de Tribunal de Justiça resolvi me aposentar. Foi no dia 5 de maio de 2021. No momento não tenho planos bem definidos. Estou montando uma pequena oficina para consertar coisas do tipo eletrodomésticos e penso em fazer algo na área de reaproveitamento de materiais, nessa pegada ecológica, para diminuir o impacto dos restos de construção e embalagens”.

Mas lógico que o singular tenor, marido, pai de três filhos e avô de quatro netos ainda está aí, e Carivaldo não descarta um retorno ao Coral do TJMS. Só que por enquanto...“tenho algumas obrigações em casa que preciso equacionar já que mudaram meu nome pra Jaque. Já que está aposentado, faz isso, faz aquilo”, e faz em tom de bom humor seu grand finale dessa apresentação de vida.

Autor da notícia: Secretaria de Comunicação - imprensa@tjms.jus.br